terça-feira, 8 de setembro de 2015


A Missa do Galo


    Missa do Galo é um conto de Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho, escrito em 1895, cujo tema é uma suposta tentativa de sedução entre um rapaz de 17 anos, Nogueira, e uma mulher de 27 anos, D. Conceição. Ela é uma típica mulher do século XIX, voltada as fundas do lar e tutelada pelo marido, ar de mistério, calada e reservada. Sujeitava-se e com o tempo passou a achar normal, as escapulidas do Menezes, o qual mantinha caso com uma serigaita e por conta disso, o mesmo dormia fora de casa uma vez por semana e o todo alegava ida ao teatro. D. Inácia, mãe de Conceição, não gostava nem um pouco das atitudes do genro e apesar de tentar retê-lo, sem sucesso, fazia vista grossa, enquanto as escravas zombavam.
    O tempo narrativa do conto é uma hora cronológico e todo ele psicológico, uma vez que o mesmo é narrado por Nogueira, a partir da lembrança de quando era um jovem e estava hospedado na residência do casal.
    Nogueira era primo da primeira esposa de Menezes, que o acolheu, pois o rapaz precisava estudar na capital.
    Nas férias de Nogueira, ele precisava retornar para a Mangaratiba, mas como nunca tinha visto a Missa do Galo na corte, resolveu retardar a sua volta. Combinara com um vizinho que quando desse o horário, iria até a casa do mesmo para irem juntos a Missa do Galo e durante esse espaço de uma hora de tempo que se dá o diálogo entre D. Conceição e Nogueira, na sala de visitas, com o resto dos personagens já em seus aposentos, D. Inácia, as escravas (que apenas são citadas) e Menezes no “teatro”.
    Nogueira lê Os Três Mosqueteiros quando aparece na sala D. Conceição e esta que para o jovem era apenas bonita tornou-se linda. Nogueira o tempo todo emenda um assunto no outro, com o intuito que a conversa não acabe nunca, eles chegam a sussurrar em dado momento, em outro total silencio, que é quebrado com as batidas na porta pelo vizinho que veio chama-lo para a missa do Galo.
 O conto é, finalizado com a informação do destino dos personagens.
     É uma narrativa que prende, dando margem ao leitor especular de várias maneiras sobre o tema, é um conto com um toque de humor fino, típico de Machado, o qual brinca com a linguagem, brinca o leitor, no uso de segundo sentido “boa conceição”.

     Mas não é um duplo sentido grotesco, mas sutil. Uma narrativa que nos faz pensar também nas referências do gênero, enfim, um conto apaixonante, intrigante, que vale muito a pena ser lido por todos.
     O enredo se passa em uma noite de Natal, enquanto o Nogueira espera um amigo para assistir à missa do Galo, o jovem de 17 anos, hóspede de um conhecido, vive uma situação ambígua com D. Conceição, de 27 anos, esposa de seu anfitrião.
     O conto é narrado em primeira pessoa, mas tem retrospectiva, como é possível perceber pelo início do conto. Essa forma de narrar, com distanciamento temperal, reforça o caráter reflexivo do narrador e, nesse caso, a incerteza expressa o mesmo com esse distanciamento também reforça a ambiguidade da história.

 

Guilherme Noto da Silva

Acadêmico de Administração

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